sexta-feira, 10 de maio de 2019

Viagens em grupo , sim ou não ?

 Viajar de moto é uma sensação incrível , de prazer , de liberdade.  E fica mais divertida quando compartilhada com  companheiros do motoclube.  

Porém , infelizmente ,  nem tudo são rosas....



Talvez o maior problema que vejo em viajar em grupo do Motoclube, são os relacionamentos  com os colegas , impostos pelo acaso, ou seja, não há como escolher seus companheiros de estrada com critérios que poderiam assegurar uma convivência segura e agradável.

É difícil conter alguns integrantes que pelo simples fato de vestir o colete do MC transformam-se de forma imprevisível, deixando aflorar o ego, colocando em risco a imagem do motoclube e até mesmo a segurança física dos demais integrantes.

Talvez esses tenham sido os fatores determinantes na minha decisão de não mais participar de viagens em grandes comboios. Prefiro viajar só. 

Viajar de moto proporciona um prazer indescritível que somente é superado quando na viagem você está acompanhado daqueles amigos que preza, respeita e goza da mesma reciprocidade de sentimentos.

Só que até você chegar à conclusão de que determinada pessoa merece o título de “seu amigo”, é uma tarefa demorada de observação e lapidação das arestas complicadoras do relacionamento.

O mais comum é encontrar comportamentos displicentes e desinteressados. Por isso, é muito difícil achar companheiros perfeitos para viagens, quer seja para aquelas breves de final de semana ou as mais longas, que demandam maior cumplicidade e preparação. Comum é encontrarmos companheiros de uma única viagem, por vários motivos.







Nem sempre os gostos combinam; um gosta de correr mais e se incomoda de manter o ritmo do grupo, não se importando em perder o convívio silencioso da estrada e a alegria de ver o outro a sua frente ou pelo espelho retrovisor; outro tem mais poder aquisitivo e não se sujeita a acampar ou freqüentar hotéis e restaurantes mais modestos e adequados ao bolso do restante da turma; outros não gostam de parar para apreciar as coisas bonitas da estrada, e o pior, alguns não dão o necessário auxílio quando alguma das motos quebra no meio da viagem, esquecendo que é na superação dos momentos difíceis que as amizades se solidificam. E se estiver garupado com a "cara metade", então , aí a coisa fica mais crítica ainda. 



Enfim, várias coisas conspiram contra quando se busca achar os companheiros ideais para viagens de motocicleta. Só depois de muitas viagens, muitas tentativas, se tiver sorte, dá para escolher parceiros fixos que realmente sejam companheiros e confiáveis, numa relação em que haja um mínimo de sintonia de gostos de uma maneira geral. Exigir a perfeição seria querer demais.

Mesmo assim, com os passeios e viagens se sucedendo, ainda é preciso ir trabalhando as relações, um cedendo daqui, o outro cedendo de lá e aos poucos se cria uma convivência agradável e duradoura que trará benefícios mútuos, deixará muitas fotografias, momentos para relembrar com satisfação e alimentar a expectativa da próxima oportunidade de renovar e fortalecer esses laços de amizade. Comum ver relatos de amizades que nascem dessa forma e duram uma vida inteira, transportando-se da estrada para a convivência familiar.

Sempre gostei de viajar com moto, sozinho ou em grupo, por prazer e até por segurança no caso de quebra da moto ou até mesmo um pneu furado no meio do nada, mas muitas vezes fui sozinho para a estrada porque às vezes as agendas são inconciliáveis; quando podemos viajar, nossos amigos não podem ou quando eles podem, nós é que estamos impedidos pelo trabalho ou outro compromisso, sem possibilidade de acompanhar a turma.

Mesmo quando viajo só, sinto que nunca estou realmente sozinho, pois a moto apesar de tão discriminada atrai as demais pessoas e desperta nelas admiração e um pouco de inveja sadia pela sensação de liberdade que ela transmite. Seja lá onde for que se pare, sempre há oportunidade de conversar com pessoas e outros motociclistas que a gente encontra pelo caminho.



Como diz a letra da música Canção da América: “Amigo é coisa pra se guardar debaixo de sete chaves dentro do coração”, dada a dificuldade e o trabalho que dá fazer novos amigos , fora e na estrada. Mas tentar , sempre valerá a pena ! 


No final o que importa mesmo ´é não ficar preso à "mimimis", botar a moto na estrada e curtir , pois a vida é passageira , 




Boas viagens amigos motoriders !!