terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Serie Técnica A importancia dos Pneus na motocicleta

Faço parte de um grupo no WatsApp de (felizes) proprietários de VStrom, e recentemente surgiu uma discussão e dúvidas sobre qual pneu é melhor para a "gorda" , qual é mais econômico , qual dura mais e dai afora. Então aproveitei e estou postando uma coletânia de informações a respeito do tema. Bora juntos então, boa leitura !

Atualmente o mercado oferece uma boa diversidade de tipos e marcas  de pneus para bigtrails . A questão da escolha é o ponto da discussão.








Vamos então sugerir alguns critérios que podem orientar a decisão de um ou outro modelo para usarmos nas nossas "gordas". 

Primeiro , lembrar que as engenharias das fabricas testam inúmeros modelos,  antes de especificar o perfil de pneu para cada modelo de motocicleta, de forma que invenções e achologias de usar pneus mais largos ou mais baixos, só vão comprometer o desempenho e a segurança , não arrisque. Use pneus que tenham exatamente as mesmas especificações constantes no manual da moto.   


Mas seja qual for a especificação, respeite sempre os limites indicados no Indice de Carga e de Velocidade >

para a VStrom 650 , traseiro é 150/70 R 17 69H


 Portanto, o pneu especificado original suporta uma carga de até 325kg , somando peso da moto , combustível, piloto e garupa e mais as malas.  Certeza que alguém ai já tá fazendo cálculo  ......

Agora, se precisar mesmo levar peso excedente, use pneu com IC adequado. 

Pneu tem validade!  
Verifique  a data de fabricação ( 5 anos é o limite de validade), e jamais use remold ou usados.  
 Para checar a data de validade do pneu :
os quatro últimos números da sequencia de 11, depois da sigla DOT , os dois anti-penúltimos indicam o número da semana e os dois últimos o ano que foi fabricado. Somar 5 no ano e vc terá a data limite de validade do pneu. 


no exemplo, o pneu foi fabricado na 51ª semana do ano 2012, portanto a validade venceu em 2017. 

A borracha envelhece , vai endurecendo, perde o "grip" original, gerando rachaduras e deformações. 




E cuidado com os usados, pois podem ter sido "riscados", isto é, os sulcos foram reabertos dando a impressão de serem novos ou pouco rodados, mas a sulcagem pode ter invadido camadas internas enfraquecendo a sua estrutura original.


  Agora,  o desenho da banda de rodagem , é você que escolhe . 
Biscoitados off road, ou slick, ou de uso mixto, tem uma gama enorme de desenhos e marcas no mercado. 
Se vc trafega normalmente em asfalto, um pneu biscoitado irá se desgastar mais rapidamente do que um ranhurado , mas um liso na areia ou lama , sem chance. 
Um desenho 80% asfalto e 20% offRoad poderá ser uma boa escolha. Será um pouco ruidoso no asfalto, mas em um rolê rápido na estradinha de terra , será muito oportuno .
Portanto escolha o pneu para o piso que vc mais utiliza, vc vai aproveitar melhor o investimento e com segurança na rodagem.  

Eu experimentei vários modelos, e registrei os desempenhos, vejam :

O par de Bridgestones que vieram na moto zero, rodaram 15 mil km,

o segundo par , Metzeller Tourence 16 mil km, 

depois parti para Michelin Anakee ( 10% off-road e 90% street) rodaram 22 mil km, 

depois usei Bridgestone Battlax Adventure, foram 16 mil km ,

 e atualmente estou rodando novamente com Metzeller Tourence.

As trocas foram sempre feitas quando indicadas no TWI .








As kilometragens que obtive em cada jogo de pneu são só referência, pois depende muito do estilo de pilotagem de cada um, do piso, peso de bagagem, com ou sem garupa, das velocidades da tocada e também do clima , o desempenho pode variar bastante.

Finalizando, sugiro dar uma olhada em publicações técnicas de comparativos de desempenho de pneus para BigTrails, alguns resultados em gráficos interessantes se visualiza rapidamente qual o que se adapta ao seu estilo e gosto . 

Vc encontra em https://www.pneus-online.pt/teste/pneu-mota/procura-teste/

Seguem alguns exemplos 

Bridgestone Battlax Adventure40
Michelin Trial Competition
Continental ContiRoad Attack
Avon TrailRider





Obrigado pela leitura, comente, critique, registre sua visita, e

até a próxima postagem !! 



 






  

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Série Opinião MOTO X PEDAGIO

Motociclista entra na praça do pedágio, reduz a velocidade, mira e segue para a cabine , olha para o chão, pois pode haver areia, óleo , graxa  , pára a motocicleta o mais próximo da janela da cabine de pagamento,  coloca a marcha em neutro, pois a mão da embreagem deve estar liberada para pegar o dinheiro , tira a luva, abre o zíper do bolso, pega moedas, conta, entrega para o operador. E ainda tem que ficar de olho em possíveis apressadinhos que ficam fungando seus para-choques no pneu traseiro da moto....
imagine a pressão !!! 



  Motos sempre tiveram uma relação difícil com praças de pedágio. Mas devemos compreender que é esse dinheiro que retorna com mais segurança e conforto à nos mesmos no uso destas rodovias. Os pontos de apoio ào usuário são excelentes , limpos tem café e água, ideais para uma paradinha de relaxamento ao longo de viagens de moto. Eu faço uso direto deste suporte. 



A questão não é o valor, mas os perigos que estamos expostos nesta operação da passagem pelas praças de pedágio. 

Viagens em grupo , elege-se um pagador por todos, isso facilita muito a passagem do comboio, com segurança .



Agora , em viagem solo, e principalmente garupado, a segurança deve ser priorizada. 



Então vamos à um passo-a-passo sugestão para passar com segurança, driblando as armadilhas dessas praças :

1- cabines automáticas estão do lado direito, então escolha sempre as cabines da esquerda. Determine a cabine que vai usar , sem furar filas ou mudanças repentinas para outra cabine.

2- reduza a velocidade , checando sempre com visão periférica os lados e atras , evitando veículos que buscam filas menores, cruzando próximo da moto.

3- acesse a cabine de pagamento pelo trilho esquerdo, deixado limpo pelos pneus de veículos que antes passaram por alí.

4- cuidado com manchas de óleo, areia e graxa no piso, aonde vai apoiar a bota. 

5- fique de olho também no retrovisor , é comum motoristas distraídos na "caça" de moedas . Buzina neles !!!

6- para o pagamento, faça uso de uma poxete, previamente abastecida com moedas e cédulas de baixo valor, entregue-a fechada para o atendente, não se preocupe pois a operação está supervisionada por câmeras, peça para devolver fechada e com o recibo. Assim vc nem precisa tirar luvas, procurar dinheiros e moedas . Guardou a poxete no bolso, bora seguir viagem . 


Resultado de imagem para pochete de moedasa simples e prática poxete porta moedas

Infelizmente as concessionárias ainda não desenvolveram "tags" para motocicletas, esperamos que sejam breve neste  tema , ajudaria muito para nossa segurança. 

Ainda, porém acredito que por pouco tempo, algumas rodovias não cobram pedágios de motos, disponibilizando passagens laterais , normalmente na extrema direita das praças, mas temos que tomar atenção pois podem não ter largura suficiente para permitir motos com baus ou alforges laterais. Reduzir a velocidade e prudentemente checar antes de entrar nestes corredores para não ficar enroscado. 



As concessionárias alegam que estão sendo obrigadas a cobrar pedágios de motocicletas, pois nestes últimos anos a quantidade de motos em circulação nas rodovias tem crescido muito e por consequência , os atendimentos à acidentes envolvendo motos. 
Não é o que parece, pois infelizmente "esquecem" de adequar suas rodovias à questão de segurança dos usuários (leia-se contribuintes)  de motos , por exemplo substituindo  letais e ultrapassados guard-rails , principalmente nas curvas , por barreiras fechadas em concreto, manter permanente uma cabine de pedágio exclusiva para motos. 

Quem sabe nossas vozes uníssonas , levadas às autoridades através dos presidentes de nossas associações da categoria consigam sensibilizar as Concessionarias para nos dar mais atenção ??!!!!!




domingo, 23 de junho de 2019

Motoclubismo é coisa séria



A quantidade de motoclubes no Brasil tem crescido num volume inimaginável. Os motivos disso vão desde o crescimento na venda das motocicletas, pela facilidade , pela necessidade e até pelo prazer que as pessoas descobriram no motociclismo e no motoclubismo.  Nessa onda, aumentaram os encontros de motos nos 4 cantos do país.
Acontece, entretanto, que até por desconhecimento pela falta de fontes oficiais de informação e até de literatura a respeito, os moto clubes estão surgindo sem nenhuma filosofia ou identidade próprias, o que contribuiu para que a expressão MC acabe meio banalizada.




Muitos motoclubistas não sabem que apesar de a liberdade ser a maior bandeira do motociclismo, há basicamente duas coisas que garantem, sempre, a harmonia e o respeito entre todas as organizações: Hierarquia e Regras.

Apesar da filosofia que moto é ter liberdade, no motoclubismo não se pode tudo.
Os presidentes de moto clubes legitimamente eleitos por votação ,  não podem ser tratados como simples membro motociclista comum; sabem, que representam na sua pessoa , o motoclube então cabe-lhe , como líder , o dever de conduzir o motoclube ào mais pleno sentido do motoclubismo,  desenvolvendo integração entre os membros , catalizar o companheirismo, a irmandade e o respeito, entre outras coisas.

Os valores e a boa conduta vão se perdendo na medida em que se criam pseudos moto clubes, até virtuais, que vendem seus brasões pela internet, onde seus integrantes não se conhecem, têm apenas um desenho costurado nos seus coletes, ás vezes nem isso, apenas camisetas estampadas e não está sujeita a nenhuma regra, hierarquia e pensam que podem tudo. Desde cortar giros em eventos, fazer acrobacias em qualquer lugar, desrespeitar as leis de transito, entre outras barbaridades. Estes são os chamados “motoqueiros” independentes de sua cilindrada ou sua condição social este não são motoclubistas , muito menos motociclistas.

Apesar da liberdade que todos os motociclistas possuem, é fato que um MC de verdade, tem de ter regras internas próprias e severas para quem quer se associar a ele, descritas em seu estatuto e até em detalhados regulamentos Internos.
Cargo de diretoria em um MC não é uma mera formalidade ou uma função para qualquer associado. Diretoria de MC é coisa séria. O integrante eleito a ser Diretor de um MC abre mão de muito tempo para se dedicar ao MC e fazê-lo ser respeitado defendendo o interesse de todos do Clube. Na maioria dos casos tem que deixa de estar com sua família para liderar um grupo e mantê-lo unido e respeitando as regras básicas de convivência. Juridicamente, responde até criminalmente se algo der errado, encabeça campanhas internas de segurança e de conduta no trânsito e em grupo entre outras coisas.


No motociclismo temos um código de honra silencioso, quase secreto, que nunca precisou ser escrito, mas quem faz parte dela sabe. Este código reza não deixar um irmão na estrada, não conhece o valor do dinheiro e ensina que todo motociclista merece respeito independente da marca ou cilindrada de sua moto.




Fazer parte da um MotoClube não é simplesmente vestir um colete e sair para eventos, mas sim carregar em seu brasão com toda a sua historia, defendendo seus ideais e honrando os princípios dentro do motociclismo que é liberdade, irmandade e amizade, ficar atento ào preceitos do MotoClube  contantes no Estatuto e Regulamento Interno.

 Então se você faz parte de um moto clube honre seu brasão e respeite o motociclismo… Motoclubismo é coisa séria !!



sexta-feira, 10 de maio de 2019

Viagens em grupo , sim ou não ?

 Viajar de moto é uma sensação incrível , de prazer , de liberdade.  E fica mais divertida quando compartilhada com  companheiros do motoclube.  

Porém , infelizmente ,  nem tudo são rosas....



Talvez o maior problema que vejo em viajar em grupo do Motoclube, são os relacionamentos  com os colegas , impostos pelo acaso, ou seja, não há como escolher seus companheiros de estrada com critérios que poderiam assegurar uma convivência segura e agradável.

É difícil conter alguns integrantes que pelo simples fato de vestir o colete do MC transformam-se de forma imprevisível, deixando aflorar o ego, colocando em risco a imagem do motoclube e até mesmo a segurança física dos demais integrantes.

Talvez esses tenham sido os fatores determinantes na minha decisão de não mais participar de viagens em grandes comboios. Prefiro viajar só. 

Viajar de moto proporciona um prazer indescritível que somente é superado quando na viagem você está acompanhado daqueles amigos que preza, respeita e goza da mesma reciprocidade de sentimentos.

Só que até você chegar à conclusão de que determinada pessoa merece o título de “seu amigo”, é uma tarefa demorada de observação e lapidação das arestas complicadoras do relacionamento.

O mais comum é encontrar comportamentos displicentes e desinteressados. Por isso, é muito difícil achar companheiros perfeitos para viagens, quer seja para aquelas breves de final de semana ou as mais longas, que demandam maior cumplicidade e preparação. Comum é encontrarmos companheiros de uma única viagem, por vários motivos.







Nem sempre os gostos combinam; um gosta de correr mais e se incomoda de manter o ritmo do grupo, não se importando em perder o convívio silencioso da estrada e a alegria de ver o outro a sua frente ou pelo espelho retrovisor; outro tem mais poder aquisitivo e não se sujeita a acampar ou freqüentar hotéis e restaurantes mais modestos e adequados ao bolso do restante da turma; outros não gostam de parar para apreciar as coisas bonitas da estrada, e o pior, alguns não dão o necessário auxílio quando alguma das motos quebra no meio da viagem, esquecendo que é na superação dos momentos difíceis que as amizades se solidificam. E se estiver garupado com a "cara metade", então , aí a coisa fica mais crítica ainda. 



Enfim, várias coisas conspiram contra quando se busca achar os companheiros ideais para viagens de motocicleta. Só depois de muitas viagens, muitas tentativas, se tiver sorte, dá para escolher parceiros fixos que realmente sejam companheiros e confiáveis, numa relação em que haja um mínimo de sintonia de gostos de uma maneira geral. Exigir a perfeição seria querer demais.

Mesmo assim, com os passeios e viagens se sucedendo, ainda é preciso ir trabalhando as relações, um cedendo daqui, o outro cedendo de lá e aos poucos se cria uma convivência agradável e duradoura que trará benefícios mútuos, deixará muitas fotografias, momentos para relembrar com satisfação e alimentar a expectativa da próxima oportunidade de renovar e fortalecer esses laços de amizade. Comum ver relatos de amizades que nascem dessa forma e duram uma vida inteira, transportando-se da estrada para a convivência familiar.

Sempre gostei de viajar com moto, sozinho ou em grupo, por prazer e até por segurança no caso de quebra da moto ou até mesmo um pneu furado no meio do nada, mas muitas vezes fui sozinho para a estrada porque às vezes as agendas são inconciliáveis; quando podemos viajar, nossos amigos não podem ou quando eles podem, nós é que estamos impedidos pelo trabalho ou outro compromisso, sem possibilidade de acompanhar a turma.

Mesmo quando viajo só, sinto que nunca estou realmente sozinho, pois a moto apesar de tão discriminada atrai as demais pessoas e desperta nelas admiração e um pouco de inveja sadia pela sensação de liberdade que ela transmite. Seja lá onde for que se pare, sempre há oportunidade de conversar com pessoas e outros motociclistas que a gente encontra pelo caminho.



Como diz a letra da música Canção da América: “Amigo é coisa pra se guardar debaixo de sete chaves dentro do coração”, dada a dificuldade e o trabalho que dá fazer novos amigos , fora e na estrada. Mas tentar , sempre valerá a pena ! 


No final o que importa mesmo ´é não ficar preso à "mimimis", botar a moto na estrada e curtir , pois a vida é passageira , 




Boas viagens amigos motoriders !!







sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Serie Técnica - A quimica e a Motocicleta

Química aplicada

Não  só a física dinâmica atua sobre uma moto em movimento. 

A química também tem seu papel. Explico.

Um dos erros mais comuns entre motociclistas se dá na questão da calibragem dos pneus.




       Os pneus são calibrados com ar atmosférico, que inclusive também contém água em sua formulação. É  a tal da umidade relativa do ar. 
      Quando a moto se movimenta,  os pneus atritam contra o asfalto e atrito gera calor. O ar com a umidade, que esta comprimido dentro do pneu, se expande. Como os pneus têm uma válvula que impede a saída do ar ,  é natural que o volume aumente, respeitando a velha Lei de Charles Gay Lussac , que trata da variação direta do volume x temperatura. Ou seja, quando o pneu esquenta o ar lá dentro “aumenta”. E quanto mais esquenta, mais aumenta. Aumentando volume e este não tendo escape, aumenta a pressão . 





O motociclista calibra o pneu frio pela manhã, com 32 libras/pol2, por exemplo. Depois de viajar sobre o asfalto quente, moto carregada e com garupa,  quer  conferir novamente a calibragem e se assusta ao observar 39 libras/pol2. Então, desobedecendo a norma do manual do proprietário, decide “corrigir” a calibragem, drenando o ar até voltar às 32 libras. Sem saber, o motociclista deixou sua moto muito perigosa, porque  “amoleceu” os pneus, alterando as características  dimensionais dinâmicas do  pneu, agora murchos ! Na primeira curva ou freada pânica ele vai se arrepender da desatenção. 





Se a engenharia do fabricante da moto determina uma calibragem do pneu,  já levou em conta a Lei de Charles, por isso a recomendação é sempre calibrar com pneus frios. Faço atenção que as pressões que devem ser rigorosamente aplicadas nos pneus, são as especificadas no manual da moto, pois foram testadas e aprovadas para o modelo . 

As motos de competição utilizam Nitrogênio nos pneus, pois como o nitrogênio é isento de H2O, mesmo quando aquecido o aumento do volume é insignificante. Os pneus das motosGP, na corrida chegam a atingir 100°C no dianteiro e passar de 130° no trazeiro. 




Para monitorar a temperatura e a pressão dos pneus da moto, ja existe no mercado um sistema chamado TPMS,  Temperature and Pressure Monitoring System  . 
Eu adquiri um equipamento desses recentemente , testei e aprovei . Funciona muito bem, inclusive alertando com seguidos "bips" quando um dos pneus está perdendo pressão rapidamente por furo , ou está com pressão excessiva , por excesso de temperatura . Tudo através de bluetooth , o sensor instalado na válvula de cada pneu , envia sinais para o display no painel da moto. 
Voce monitorando em tempo real a pressão e a temperatura dos pneus, navega mais tranquilo.