Para tudo , tem sempre uma primeira vez .
Domingão , céu amanheceu nublado , mas mesmo assim, depois de uma checada no app da previsão de tempo , decidimos partir para uma região que indicava tempo aberto, parcialmente nublado, mas sem chuvas .
Objetivo era visitar a cidade de Macaubas, que fica a 338 km de Vitória da Conquista, Bahia, já próxima da Chapada Diamantina, .
Macaubas é uma bacana cidade de interior da Bahia , conhecida também por ter uma jazida do raro Mármore Azul. Um capricho da Mãe Natureza na também bela região da Chapada Diamantina.
Relógio marcando 09:30, bora pegar estrada.
Planejamento era abastecer e almoçar em Brumado, no posto e churrascaria Boca Nervosa , e seguir por Livramento de Nossa Senhora, Paramirim e daí mais uns 70 km , alcançar o Município de Macaubas.
Ótimo almoço, e assim levou nosso adesivo,
abastecida também a VStrom, bora então voltar pra estrada.
Mas como eu disse , esse ERA o planejado.
A Rodovia BA122 estava um verdadeiro tapetão , permitindo velocidades de cruzeiro entre 120, 130 km/H, curtindo a viagem , apreciando a paisagem, MAS passando por Caturama, faltando 60 km para chegar em Macaubas , o motor da VStrom simplesmente apagou !!!.
Embreagem acionada, uma tentativa no botão de partida, nenhum sinal, estou no final de uma descida , à frente uma subida e os 120km/H foram diminuindo, diminuindo, ainda bem que não estava em ultrapassagem, atrás nenhum veículo, procurando um lugar no acostamento, chego nele devagar , devagar, quase parando. parou .
desliga-liga na chave , no corta-corrente, motor de arranque nada. outro toque no botão de partida, tudo morto . OH My God !!!
Cabeça à mil, mas vamos manter a calma .
check List continua ;
Combustível ?, tudo ok
Bateria ? faróis , painel acesos, tudo ok
Tentei novamente o botão de partida , painel resseta normal, porém não se ouvia aquele barulho característico da bomba de combustível pressurizando o sistema da injeção. Sinal de problema elétrico.
Gelei . Será pane elétrica ou pior, eletrônica ?.
Nisso, pára uma camionete que vinha pela Rodovia, perguntando se preciso de ajuda . Estranhei , mas logo entendi a bela atitude , quando os dois da camionete se identificaram como também motociclistas. Essa é a essência do termo "irmandade" entre motociclistas . Sempre disponíveis para dar ajuda a outros em necessidades. Os dois colegas, Magno Vaz do motoclube Rota156 de Macaubas, e Nito , triciclista, agora + dois amigos de estrada.
Prontamente os dois me ajudaram a empurrar a VStrom ladeira acima , até um local mais seguro, e ai entre varias sugestões e hipóteses, sensor do pézinho ? bomba de combustível? motor de arranque? , descobrimos um fusível queimado . Substituído, a moto voltou a funcionar normalmente .
Eu sabia que essa não seria solução , precisaria investigar o porque da queima do fuzivel.
Mexe aqui, mexe aculá, aparentemente nada , então decidi prosseguir a viagem assim mesmo.
Uma fotinho para registrar "a ajuda" , me despedi dos amigos que seguiram sua viagem. E nós voltamos à nossa .
Muito obrigado amigos !!
Segui mais alguns kilometros , e o motor apagou novamente.
Verifiquei que o mesmo fuzível voltou a queimar , sinal que algo esta em curto , então , decidi ligar para meu mecânico de Conquista, Edilson, que orientou fazer algumas verificações para tentar localizar o que e onde estava em curto mas infelizmente sem sucesso .
Definitivamente, estava em apuros. Duas horas desde a primeira pane, o fim do dia chegava, e para agravar a situação, estávamos a 270 km de casa!!.
Deixei meu ego de lado, aquele "eu-sei-me-virar-sozinho" , "dou-um-jeito-pra-tudo", escutei o sempre sábio conselho da garupatroa, e .... acionei o serviço de resgate do seguro . !!
Enquanto aguardávamos a chegada do reboque, ainda conseguimos curtir um visú muito legal de por do sol na encosta da Chapada Diamantina.
A ultima visão que um motorider quer, é ver a "companheira viajeira" encima de um reboque, mas infelizmente não havia saída.
Dia seguinte, logo cedo, o mecânico Edilson já estava com a VStrom na carretinha indo para a oficina.
Resultado da autopsia : o cabo de alimentação do GPS encostou em um dos coletores de saída do escapamento do motor , derreteu fechou curto circuito, gerando a pane elétrica.
Risco de faíscamento ( incêndio) , risco de danificar a central eletrônica, risco de acidente , pois a pane poderia ter acontecido em um momento de ultrapassagem, enfim, mas graças a Deus nada disso aconteceu .
Este episódio me fez refletir a respeito de instalar acessórios na moto não originais da montadora. lâmpadas Led, faróis auxiliares, tomadas , som, buzina, etc , etc .
Será que o projeto elétro-eletrônico original da motocicleta prevê a inclusão de acessórios ? Certamente que não, essa decisão fica por conta e risco do freguês.
Agora , se vc querer arriscar e instalar acessórios, vai aí a dica .
Para garantir uma boa instalação e não ter dor de cabeça , primeiro, o acessório deve ser de qualidade, ao preço justo, (desconfiar de promoções e valores muito em conta ). Deve vir em embalagem lacrada do fabricante, deve ter informações claras de suas características técnicas, como voltagem , consumo de energia , e esquema elétrico de instalação. Todas estas precauções são válidas, mas talvez o mais importante é quem e como vai instalar . O instalador deve ser capacitado e conhecer o circuito elétrico para fazer as ligações devidas, fixação dos cabos elétricos com segurança e isolamentos necessários, prevendo vibrações, temperatura, solavancos, e que ainda poderá ser exposto a águas de lavagens e de chuva .
Eita rolezão complicado ! Mas tudo na vida , mesmo nestes momentos, vale a pena .
Até a próxima postagem !!






