quinta-feira, 25 de junho de 2020


Subo o ziper do casaco , ajusto as luvas e  travo o capacete. Desarco as costas, uma arrumadinha na calça. 
Da garupatroa, vem um abraço , uma sutil apertadinha dos joelhos no meu quadril é sinal que a "cúmplice" está pronta também.  
No toque do botão de partida, acordo a cavalaria. 
O coração pulsa firme e forte.
Na primeira pra baixo, inicia a aventura.   
Sol de frente .  
O punho  gira o acelerador, o manete da embreagem traciona as rédeas ,  motor ronca alto,  mas eu, sempre atento na segurança  pois mais vale chegar bem e não pelo chegar mais rápido.
Reflexos das imagens passando pelas viseiras, das montanhas, vales, riachos , uma cachoeira lá longe , 
A cavala segue firme no contornar das curvas da serra, cheiro de mato, aroma de paixão.
O almoço na varanda do antigo casarão , vista para o lago, mistura de aromas, sabores e palavras, carinhos e afagos .
Já temos o sol se pondo. 
Pássaros em formação delta, voam para o descanso, indicando inicio de final do dia.
Alma lavada, stress zerado, tanque vazio, sensação de boa. 
Motor em ponto morto, giro a chave , e ela adormece. 
O pezinho sustenta agora  quem nos levou corpo e mente para longe, fugaz aventura, , mas viagem segura e tranquila , por decisão. Sempre . 
O que faz um motociclista não são as cilindradas que pilota, mas as  atitudes quando se está no comando delas.
Sabendo usar , viver uma moto, é conhecer a liberdade, é viver a vida.