Sabadão a tarde, depois de um breve almoço, 14:00 , decido tomar estrada .
O programação , devido ao horário avançado do dia , seria tomar sentido litoral ,de Vitória da Conquista, Bahia , indo por Potiraguá, até o entroncamento da BR101, cerca de 220 km, e voltaria final do dia , antes do escurecer.
Viagem tranquila, momentos de introspecção , reflexão da vida, paz e harmonia interior ,imensidão no horizonte, belas paisagens .
Algumas nuvens carregadas, uma chuvinha aqui e acolá, mas bem leve , e as roupas semi-impermeáveis secavam poucos minutos depois de cada breve "banho". Nem todo mundo gosta, mas para mim , tomar uma chuvinha na estrada me faz bem , e faz parte do motorider.
Depois de passar por Potiraguá, cruzando o Rio Pardo
, estacionei a moto para tirar umas fotos , pois o local é muito bonito, com paisagens de pintura de quadro.
Neste momento surge na estrada no mesmo sentido que eu seguia, uma Triunph 1.200, placa de Brasilia, que nem estacionou e já me perguntou se eu precisava de ajuda. Nome dele é Elton, apelido "Sete" , fotografo profissional aposentado , de onde veio e pra onde vai , aquela papo rápido e surgiu aquela amizade natural que acontece na estrada quando dois motociclistas cruzam o caminho.
Lhe disse que estava tudo bem, só contemplando a paisagem, e que estaria seguindo até mais algumas dezenas de km mais e voltaria para a cidade base.
Ele estava viajando já a dois dias, saiu de Brasília e o destino era o encontro de motos em Prado, sul da Bahia. Como era a primeira sua primeira vez em Prado, e não conhecia bem o caminho, me perguntou porque não irmos juntos até o evento. Isso aguçou meus princípios de irmandade motociclísticas, e então decido acompanha-lo, pelo menos até aonde désse, pois era o mesmo sentido do caminho. Ja sentindo que me atrasaria, avisei em casa que retornaria mais tarde, e assim seguimos juntos pela BA680, em direção ao entroncamento com a BR101.
A tocada foi boa, como podem ver ai
Ao fim da BA680, chegamos no entroncamento com a BR101.
Uma paradinha para mais um papinho, decidi acompanha-lo por mais um tanto, seguimos pela BR101 rumo à Eunapolis. Mas bastaram alguns quilómetros rodados , notamos que enfrentaríamos mau tempo, pois no horizonte se avistavam inúmeros blocos de nuvens escuras, justamente na direção de nosso rumo.
Alcançamos Eunápolis às 17:00, para reabastecimento, "Sete" me confidencia que não gosta de pilotar à noite , e por isso queria chegar antes do anoitecer ao seu objetivo, 140 km à frente. Com essa distancia impossível chegar antes de escurecer, então combinamos que avançaríamos até um ponto possível, enquanto estivesse claro ainda.
Começa a chover saindo de Eunapolis.
Nesse ponto, meu odômetro parcial indica 330 km percorridos desde minha base, e que mais 50, 60 km não mudaria muita coisa pois eu queria voltar no mesmo dia, e sabia que enfrentaria o retorno praticamente todo viajando a noite.
Prontamente me ofereci para seguirmos juntos até o máximo possível, mas que escureceria em breve e a chuva estava iminente.
Ai as coisa começaram a se complicar. Dos céus despencaram muitas águas , e a noite chegou. Para dar uma complicadinha, veio a neblina , estrada cheia de serras nesse trecho, muito transito de veículos pesados. Nem pensar em parar no acostamento, muita ribanceira , seria um risco enorme.
Muita cautela no freio e acelerador, pista molhada e anoitecendo.
Seguimos juntos por vários quilômetros , seguindo um ônibus como referência , quando perdi Sete do retrovisor . Não podia parar , segui até Itabela , quando então estacionei em um lugar seguro, e fiquei aguardando Sete que depois de vários angustiantes minutos, despontou daquela mistura de chuva e neblina.
Ufa !!
De noite, debaixo da chuva, dois motoriders no acostamento de uma rodovia , um abraço de alivio que tudo estava bem. Havia ficado realmente preocupado com a demora dele. Parecia que éramos amigos de longa data. Como é incrível a facilidade de fazer amigos no meio motociclístico.
Sete , sem nenhuma condição visual de seguir adiante, iria ficar por ali mesmo , pernoitar e só seguir viagem no dia seguinte.
Nos despedimos ali, Sete agradeceu minha total disponibilidade para acompanha-lo até esse ponto, retorno na rodovia, a imagem de Sete acenando refletida no retrovisor vai diminuindo até sumir.
Muito satisfeito e feliz por ter me sentido util à um companheiro de estrada.
Praticamente havia alongado o meu rolê em mais de 100km!
Agora , pensei, é comigo vencer esse desafio. Seriam 380km na volta , à note e talvez sob chuva . E por cima agora sozinho .
Mas eu sou assim. Desafios , me rejuvenesce, me dá vida.
A questão é ter domínio dos teus limites para enxergar os riscos. Decidi voltar com calma, uma tocada segura, e se caso a chuva apertasse, procuraria um lugar para pousar, avisaria a patroa e retomaria no dia seguinte.
Essa decisão acalma os ímpetos , e não deixam que o desafio ultrapasse o risco.
O trajeto de volta seria o mesmo da ida, e aliás, eu conheço muito bem cada quilometro destes trechos, o que alivia a tensão e reduz riscos. Conheço cada curva , saliência pontos perigosos, mas mantenho respeito à estrada, não me permito ultrapassar os limites. Tenho sempre em mente que estou suscetível a acidentes e isso depende de minha conduta e comportamento na estrada. Sempre manter distância de veículos à frente, não olhar nos faróis no contra-sentido, e fundamentalmente , reduzir a velocidade. Com pista molhada , triplicar atenção.
Sentidos todos alertas , chuva intermitente. Parada para reabastecimento, aproveitar para enviar mensagens de posição para casa, isso faz bem e acalma todos.
Vencendo quilometro a quilometro, enfim, depois de rodar 720 km no mesmo dia, sendo metade sob chuva e à noite , chegamos em casa, cansados mas com a agradável sensação de compartilhar mais um momento de companheirismo no mundo das 2 rodas.
Obrigado amigo Sete !!
Dia seguinte, Sete completou o trajeto e alcançou o objetivo da sua viagem !
Parabéns !! Forte abraço amigo !
Até a próxima !!
O programação , devido ao horário avançado do dia , seria tomar sentido litoral ,de Vitória da Conquista, Bahia , indo por Potiraguá, até o entroncamento da BR101, cerca de 220 km, e voltaria final do dia , antes do escurecer.
Algumas nuvens carregadas, uma chuvinha aqui e acolá, mas bem leve , e as roupas semi-impermeáveis secavam poucos minutos depois de cada breve "banho". Nem todo mundo gosta, mas para mim , tomar uma chuvinha na estrada me faz bem , e faz parte do motorider.
Depois de passar por Potiraguá, cruzando o Rio Pardo
Neste momento surge na estrada no mesmo sentido que eu seguia, uma Triunph 1.200, placa de Brasilia, que nem estacionou e já me perguntou se eu precisava de ajuda. Nome dele é Elton, apelido "Sete" , fotografo profissional aposentado , de onde veio e pra onde vai , aquela papo rápido e surgiu aquela amizade natural que acontece na estrada quando dois motociclistas cruzam o caminho.
Lhe disse que estava tudo bem, só contemplando a paisagem, e que estaria seguindo até mais algumas dezenas de km mais e voltaria para a cidade base.
Ele estava viajando já a dois dias, saiu de Brasília e o destino era o encontro de motos em Prado, sul da Bahia. Como era a primeira sua primeira vez em Prado, e não conhecia bem o caminho, me perguntou porque não irmos juntos até o evento. Isso aguçou meus princípios de irmandade motociclísticas, e então decido acompanha-lo, pelo menos até aonde désse, pois era o mesmo sentido do caminho. Ja sentindo que me atrasaria, avisei em casa que retornaria mais tarde, e assim seguimos juntos pela BA680, em direção ao entroncamento com a BR101.
A tocada foi boa, como podem ver ai
Ao fim da BA680, chegamos no entroncamento com a BR101.
Uma paradinha para mais um papinho, decidi acompanha-lo por mais um tanto, seguimos pela BR101 rumo à Eunapolis. Mas bastaram alguns quilómetros rodados , notamos que enfrentaríamos mau tempo, pois no horizonte se avistavam inúmeros blocos de nuvens escuras, justamente na direção de nosso rumo.
Alcançamos Eunápolis às 17:00, para reabastecimento, "Sete" me confidencia que não gosta de pilotar à noite , e por isso queria chegar antes do anoitecer ao seu objetivo, 140 km à frente. Com essa distancia impossível chegar antes de escurecer, então combinamos que avançaríamos até um ponto possível, enquanto estivesse claro ainda.
Começa a chover saindo de Eunapolis.
Nesse ponto, meu odômetro parcial indica 330 km percorridos desde minha base, e que mais 50, 60 km não mudaria muita coisa pois eu queria voltar no mesmo dia, e sabia que enfrentaria o retorno praticamente todo viajando a noite.
Prontamente me ofereci para seguirmos juntos até o máximo possível, mas que escureceria em breve e a chuva estava iminente.
Ai as coisa começaram a se complicar. Dos céus despencaram muitas águas , e a noite chegou. Para dar uma complicadinha, veio a neblina , estrada cheia de serras nesse trecho, muito transito de veículos pesados. Nem pensar em parar no acostamento, muita ribanceira , seria um risco enorme.
Muita cautela no freio e acelerador, pista molhada e anoitecendo.
Seguimos juntos por vários quilômetros , seguindo um ônibus como referência , quando perdi Sete do retrovisor . Não podia parar , segui até Itabela , quando então estacionei em um lugar seguro, e fiquei aguardando Sete que depois de vários angustiantes minutos, despontou daquela mistura de chuva e neblina.
Ufa !!
De noite, debaixo da chuva, dois motoriders no acostamento de uma rodovia , um abraço de alivio que tudo estava bem. Havia ficado realmente preocupado com a demora dele. Parecia que éramos amigos de longa data. Como é incrível a facilidade de fazer amigos no meio motociclístico.
Sete , sem nenhuma condição visual de seguir adiante, iria ficar por ali mesmo , pernoitar e só seguir viagem no dia seguinte.
Nos despedimos ali, Sete agradeceu minha total disponibilidade para acompanha-lo até esse ponto, retorno na rodovia, a imagem de Sete acenando refletida no retrovisor vai diminuindo até sumir.
Muito satisfeito e feliz por ter me sentido util à um companheiro de estrada.
Praticamente havia alongado o meu rolê em mais de 100km!
Agora , pensei, é comigo vencer esse desafio. Seriam 380km na volta , à note e talvez sob chuva . E por cima agora sozinho .
Mas eu sou assim. Desafios , me rejuvenesce, me dá vida.
A questão é ter domínio dos teus limites para enxergar os riscos. Decidi voltar com calma, uma tocada segura, e se caso a chuva apertasse, procuraria um lugar para pousar, avisaria a patroa e retomaria no dia seguinte.
Essa decisão acalma os ímpetos , e não deixam que o desafio ultrapasse o risco.
O trajeto de volta seria o mesmo da ida, e aliás, eu conheço muito bem cada quilometro destes trechos, o que alivia a tensão e reduz riscos. Conheço cada curva , saliência pontos perigosos, mas mantenho respeito à estrada, não me permito ultrapassar os limites. Tenho sempre em mente que estou suscetível a acidentes e isso depende de minha conduta e comportamento na estrada. Sempre manter distância de veículos à frente, não olhar nos faróis no contra-sentido, e fundamentalmente , reduzir a velocidade. Com pista molhada , triplicar atenção.
Sentidos todos alertas , chuva intermitente. Parada para reabastecimento, aproveitar para enviar mensagens de posição para casa, isso faz bem e acalma todos.
Vencendo quilometro a quilometro, enfim, depois de rodar 720 km no mesmo dia, sendo metade sob chuva e à noite , chegamos em casa, cansados mas com a agradável sensação de compartilhar mais um momento de companheirismo no mundo das 2 rodas.
Obrigado amigo Sete !!
Dia seguinte, Sete completou o trajeto e alcançou o objetivo da sua viagem !
Parabéns !! Forte abraço amigo !
Até a próxima !!










Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluir